Vide cor meum

E pensando di lei
Mi sopragiunse uno soave sonno

Ego dominus tuus
Vide cor tuum
E d'esto core ardendo
Cor tuum
Umilmente pascea.
Appreso gir lo ne vedea piangendo.

La letizia si convertia
In amarissimo pianto

Io sono in pace
Cor meum
Io sono in pace
Vide cor meum


Tradução: Veja seu coração

E pensando nela
Um doce sono me domina

Eu sou seu Mestre
Veja seu coração
E este coração flamejante
É o seu coração
Obedientemente come.
Em prantos, vejo-o e renuncio a ele.

A alegria é convertida
Nas mais dolorosas lágrimas

Eu estou em paz
Meu coração
Eu estou em paz
Veja meu coração.

O Amor

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.

La vida callada

La vida callada...
dadora de mundos.
La vida callada..
dadora de mundos.
lo que mas importa
es la no-ilusión
la mañana nace,
la mañana nace,
los rojos amigos,
los grandes azules,
hojas en las manos
pájaros ruideros,
dedos en el pelo,
nidos de paloma
raro entendimiento de la
lucha humana sencillez
del canto de la sinrazón
locura del viento en mi corazón.
que no rimen niña
dulce xocolatl del México antiguo,
tormenta en la sangre
que entra por la boca
convulsión, augurio
risa y dientes finos ahujas
de perla, para algun regalo
de un siete de julio, lo
pido, me llega, canto
cantando, cantare desde
hoy nuestra mágica- amor.
La vida callada...
dadora de mundos.
La vida callada...
dadora de mundos.
Venados heridos
Frutos ya muy vivos
La muerte se aleja
Lineas, formas, nidos
Rítmos escondidos
Las manos construyen
La niña Mariana
Los Diegos sentidos
Lagrimas enteros
Rayos, penas, soles
Cósmicas verdades
Que viven sin ruidos.
Arbol de la esperanza
Arbol de la esperanza
Mantente firma.

(tradução)

A vida tranquila ...
doadora de mundos.
A vida pacata ..
doadora de mundos.
o que mais importa
é a não- ilusão
a manhã nasce
a manhã nasce
Amigos vermelhos,
os grandes azuis
folhas nas mãos
aves ruideras
dedos em seus cabelos,
ninhos de pombos
raro conhecimento da
luta humana simples
o canto da desrazão
vento louco no meu coração.
que não rima menina
chocolate doce do México antigo
Tempestade de sangue
que entra na boca
num apreensivo presságio
sorriso de dentes finos e agulhas
pérolas, por algum dom (ou pode ser presente)
de um sete de Julho,
Eu peço, eu recebo, cantando
cantar, cantar,
Hoje nosso amor-mágico.
A vida tranqüila ...
doadora de mundos.
A vida tranqüila ...
veados feridos,
Frutas e vívidas ( resultados do muito vivido, ou frutos muito maduros)
A morte de distância
Linhas, formas, ninhos
Ritmos ocultos,
Mãos construir
A menina Mariana
Os sentidos Diegos
Lagrimas todo
rios, penas, sóis.
Verdades cósmicas
Viver sem ruído.
Árvore da Esperança
Árvore da Esperança
Manter-se firme

Ouvir Estrelas

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas
Olavo Bilac

Terra feita de céu

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

A evolução da forma

Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.
As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?
A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?
Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.
Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.

Mas tem de haver mais

Agora o verão se foi
E poderia nunca ter vindo.
No sol está quente.
Mas tem de haver mais.

Tudo aconteceu,
Tudo caiu em minhas mãos
Como uma folha de cinco pontas,
Mas tem de haver mais.

A vida me recolheu
À segurança de suas asas,
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.

Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido.
Claro como um vidro é o dia,
Mas tem de haver mais.